
Sempre me perguntei porque eu agia diferente das pessoas ao meu redor. Sempre fui meio nervosinha, tinha um mundo só meu na cabeça e achava tudo o que os outros diziam um saco. Fui taxada de garota problema, aborrecente, e sempre diziam que quando eu começasse a trabalhar, as coisas melhorariam.
E num é que NÃO melhoraram. Na realidade, consegui controlar meus ataques de nervos, comecei a agir da maneira que gostaria que as pessoas agissem comigo. Isso ajudou muito em manter algum tipo de relacionamento, mas sempre fui taxada de distante. Uma vez me deram o apelido de "Patty Amendoim", só conhecendo muito bem é que saberia quem eu sou realmente.
Claro que as coisas mudam quando você fica adulto. Quem disse que posso sair por aí respondendo o que viesse à minha cabeça? Tá, as vezes ainda acontece, meu marido,
minha mãe e algumas pessoas do trabalho sofrem com isso. Até já me chamaram de Seu Saraiva (tudo bem que demorei a entender) por causa da minha intolerância a perguntas abertas demais (não estúpidas, nunca! hahaha - sarcasmo, minha marca registrada...)
Sempre larguei as coisas já começadas. Era um tédio ir pra faculdade. Ouvir uma palestra sobre algo que não me interesso ou tenho dor de cabeça ou desisto. Mas quando a gente vira gente grande, não pode ficar desistindo das coisas assim. Daí, desde minha "aborrecência", comecei a criar estratégias para tudo.
Foi dificil. Principalmente porque eu estava sozinha nisso. Minha família não via problema algum já que eu era inteligente, nunca tive problemas na escola. A única marca que eles conseguiam perceber era a minha amiga depressão. Amiga porque quase sempre estava ao meu lado, mas naquela época era melancolia. Eu era fresca, assim dizia meu irmão.
Como uma pessoa poderia estar com tudo perfeito na vida e mesmo assim não sair da cama? Chorar o tempo inteiro?
Minha mãe tinha uma resistencia muito grande com relação a psiquiatras. Por isso nunca me levou. E eu ia pelo mesmo caminho pois achava que talvez ela estivesse certa, que eu tinha é que arrumar o que fazer.
A auto estima era tão baixa que deve ter visitado a China. Sempre, por mais que tivesse claras provas do contrário, me achava feia, burra, chata, gorda, incapaz, desistente... (e assim vai...)
Quando comecei a dirigir, as coisas pioraram. Eu não poderia, de jeito algum, ter momentos (3, 4, 5 segundos) de desatenção. Quase bati muitas vezes pois não via que o cara na frente tinha freado. Isso me deixava extremamente ansiosa, o que me levou a uma das piores depressões que já tive.
Mas as coisas acontecem por um motivo. Havia uma aluna minha que era psquiatra e uma coisa leva a outra. Ta-rã! TDAH(I) diagnosticada e ritalinada (como diz Rita Thompson).
Muitas pessoas pensam que quando começamos a medicação, nos tornamos outros. Que nada!! Continuo fazendo as mesmas coisas que me tornam essa pessoa única que sou, mas com moderação. Hoje consigo presentir quando o Seu Saraiva vai descer, e muitas vezes consigo bloquear minhas reações impulsivas. Quando sei que não vai dar, saio de perto.
Minha atenção é outra agora. Nem acredito que consegui escrever esse post enorme!! Os momentos de "Fantástico Mundo de Patrícia" ainda acontecem. Na realidade, eles acontecem o tempo inteiro, mas hoje em dia eu consigo viver nos dois mundo.
Pois é, Sou TADH (I) com muito orgulho!!!!
TDAHI - Transtorno de Déficit de Atenção, Hiperatividade e Impulsividade
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